terça-feira, 17 de novembro de 2015

Apresentação sobre Literatura portuguesa e a vida de Bocage - Joana Fontes/Alexandre Caleira

No dia 12 de Novembro, a nossa turma, 11ºi teve oportunidade de realizar uma apresentação alusiva á vida de Bocage e á disciplina de Literatura Portuguesa.
 Todos os alunos da nossa turma falaram acerca de um determinado tema, pois fizemos a nossa apresentação para duas turmas de 9º ano.
 A primeira turma mostrou-se mais agitada e menos respeitadora, o que dificultou a realização de forma fluída da apresentação, nomeadamente, devido ao nervosismo que era sentido por nós pois, em geral, toda a nossa turma achou os ouvintes desagradáveis.
 No entanto, a segunda turma era o oposto da primeira, pois os alunos eram participativos e mantiveram-se em silêncio nos momentos indicados facilitando, assim, a apresentação da nossa turma.
 Em conclusão, na nossa opinião, ambas as apresentações correram, em geral, bastante bem. Foi uma experiência muito agradável e, para além de tudo isso, pudemos aperfeiçoar os nossos conhecimentos e técnicas de retórica frente a um público.

Bernardim Ribeiro - Auto de Gil Vicente

Eu sei que sou louco, mas sinceramente não me importo, prefiro louco ser e lutar por quem amo do que apenas sofrer, sem agir. Culpa não tenho, por o meu coração pertencer a Dona Beatriz, fiz tudo por ela, até entrei no Auto de Gil Vicente para lhe mostrar o quando a amo, provar que uma hierarquia não separa uma felicidade, mas sofro por apenas ter tido a oportunidade de despedir-me da minha amada Dona Beatriz. Não mais me esqueço de ter fugido por aquela janela, e ter sentido as aguas frias, não frias de temperatura, mas frias de coita e de saudade.

Um poema de Bernardim Ribeiro

Ontem Pôs-se o Sol

Ontem pôs-se o sol, e a noute 
cobriu de sombra esta terra. 
Agora é já outro dia, 
tudo torna, torna o sol; 
só foi a minha vontade, 
para não tornar c’o tempo! 

Tôdalas cousas, per tempo, 
passam, como dia e noute; 
ua só, minha vontade, 
não, que a dor comigo a aterra; 
nela cuido em quanto há sol, 
nela enquanto não há dia. 

Mal quero per um só dia 
a todo outro dia e tempo, 
que a mim pôs-se-me o sol 
onde eu só temia a noute; 
tenho a mim sôbre a terra, 
debaxo minha vontade. 

Dentro na minha vontade 
não há momento do dia 
que não seja tudo terra; 
ora ponho a culpa ao tempo, 
ora a torno a pôr à noute: 
no milhor pon-se-me o sol! 

Primeiro não haverá sol 
que eu descanse na vontade. 
Pon-se-me ua escura noute 
sôbre a lembrança de um dia... 
Inda mal porque houve tempo 
e porque tudo foi terra. 

Haver de ser tudo terra 
quanto há debaixo do sol 
me descansa, porque o tempo 
me vingará da vontade; 
se não que antes dêste dia 
há-de passar tanta noute! 

Bernardim Ribeiro, in 'Antologia Poética'