domingo, 20 de março de 2016

Fernando Pessoa-Restaurante «A Licorista»

 Fernando Pessoa era um indivíduo que precisava de viver na solidão mas sempre acompanhado, várias fotografias, pinturas e esculturas imortalizam Pessoa como frequentador de cafés, onde escrevia e convivia.

 “A Licorista”, hoje um restaurante, era um bar no tempo de Pessoa, e foi aí que foi tirada uma das poucas fotografias do poeta, que, tal como muitos lisboetas da época, tinha o hábito de parar para um licor e bebidas fortes (como a ginginha).

 Pessoa não gostava de ser fotografado, dado este facto a fotografia tirada ao poeta foi dada ao seu caro amigo Carlos Queiroz e a Ofélia que quis também ter uma cópia. As pessoas do restaurante acharam toda esta situação bastante engraçada, por esta razão, pediram a fotografia e recriaram-na num painel de azulejos.
Apesar de não estar exposta por motivos de segurança, o dono do Restaurante Licorista tem a fotografia original de Fernando Pessoa a beber o seu licor, no entanto, está exposta no restaurante uma réplica.

 Fernando Pessoa: “Apanhado em flagrante delitro” (comentário acerca da sua fotografia).

João da Ega (Apresentação Oral)



A personagem que vamos hoje apresentar é João da Ega, que aparece pela primeira vez na obra de Eça no quarto capítulo. João da Ega é uma espécie de alter-ego de Eça de Queirós.


Em relação à sua caracterização física, Ega usava "um vidro entalado no olho", tinha "nariz adunco, pescoço esganiçado, punhos tísicos, pernas de cegonha". Era o autêntico retrato de Eça.





Em termos psicológico é um personagem contraditório, isto é, por um lado é um homem romântico e sentimental, por outro, progressista, crítico e sarcástico em relação a Portugal Constitucional. Representa o naturalismo.


João da Ega é amigo íntimo e confidente de Carlos da Maia desde os tempos de Coimbra, onde Ega se formara em Direito (muito lentamente) pois ora reprovava, ora perdia o ano por alguma razão.

Afonso da Maia também se afeiçoara bastante a este grande amigo de seu neto.

Dependente economicamente da mesada da mãe, uma rica fidalga de Celorico de Basto.

Ega é um fidalgo rico de província, audacioso e com fama de ser "o maior ateu, o maior demagogo que jamais aparecera nas sociedades humanas".
Boémio, excêntrico, exagerado, caricatural, anarquista está sempre pronto a escandalizar, é capaz de defender a escravatura ou a revolução, só para chocar os interlocutores.
Gosta de se fazer notar e de ser lisonjeado nos círculos que frequenta.

É um homem de entusiasmo fácil, arrebatado e violento, inicia vários projetos, como a criação de uma revista que revolucionasse o ambiente cultural português e um livro intitulado As memórias de um Átomo, que nunca foram concluídos, sofre de diletantismo (alguém que muda constantemente de gostos, de ideias, etc.).

Rende-se a uma intriga amorosa e banal, envolvendo-se com a mulher do banqueiro Cohen, Raquel. Cohen acaba por descobrir o caso e expulsar Ega de sua casa numa noite de baile de máscaras para a qual Ega estava extremamente entusiasmado, não tendo comido, nem dormido, para se preparar.

Encarna a figura defensora dos valores da escola realista por oposição à romântica. Na prática, revela-se em eterno romântico.

Do ponto de vista da narrativa, cabe-lhe um papel importante na evolução da intriga trágica, pois é ele quem toma conhecimento da existência de documentos que provam o parentesco de Carlos e Maria Eduarda. É a João da Ega que Guimarães entrega o cofre de Maria Monforte, mãe de Carlos e Maria.

Além disso, é ele que diz a verdade a Maria Eduarda e a acompanha quando esta parte para Paris definitivamente.