terça-feira, 9 de junho de 2015

Eu bocage...

Eu, Bocage tendo nascido a 15 de setembro de 1765, em setúbal, numa época de profundas oscilações e convulsões, tive uma infância infeliz e fui criado por meu pai e minha mãe, juntamente com meus 5 irmãos.

 Em 1783 entrei numa academia de Guardas Marinhos, com apenas 14 anos, mas 1 ano depois desertei, pois não me agradou.

Durante a minha juventude viajei bastante, principalmente em 1786, pois fui enviado para Goa e também em 1789 viajei para a terra onde o meu ídolo Luís de Camões esteve, no Surate que situa-se na India.

Um ano depois regressei a Portugal, onde entrei na Academia de Belas-Artes, contudo, em 1797 vi-me cativo.

A minha poesia é marcada pelo erotismo e pela sátira de caráter social, mas também destacam-se duas vertentes líricas: a luminosa e etérea, em que me entrego inebriado á evocação da beleza de minhas amadas, e a noturna e pessimista, em que manifesto a dor incomensurável provocada pela indiferença, ingratidão e tirania de minhas musas. Estas assimetrias mostram o quão complexa é minha personalidade, além do evidente jogo de contrários. Com isto tudo ganhei alcunhas pelos meus poemas com por exemplo “o poeta maldito”.

Publiquei o meu segundo volume de rimas em 1799 e pouco tempo depois fiquei pobre e doente devido a um aneurisma nas carótidas que impossibilitaram o meu poder de trabalhar. Reconciliei com todos aqueles que ofendera. No entanto, antes de morrer simplesmente lamentei “as desordens fatais da louca idade”.

Para concluir, criei um soneto sobre o meu nascimento que gostaria de mostrar-vos:

Apenas vi do dia a luz brilhante
lá de Túbal no empório celebrado,
Em sanguíneo carácter foi marcado
pelos destinos meu primeiro instante.

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